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Felipão e Luxemburgo: as escolhas que a gente faz!

Postado por Hiltor Mombach em 26 de junho de 2013Esportes

Por Airton Gontow,  jornalista e cronista

As escolhas que a gente faz mudam o destino da gente.
Seja individualmente. Seja do grupo a que a gente pertence.
As escolhas são importantes.
Mas existe também o acaso, a sorte, o imponderável.
Vejamos as escolhas de dois treinadores.
Luxemburgo tira Marcelo Grohe, um dos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro do ano passado e coloca o Dida, goleiro experiente, com vários títulos na carreira.
Um dia, Dida se machuca e Marcelo entra em campo.
Não por uma escolha do treinador.
Foi o destino que o colocou em campo.
E Marcelo, o preterido, pega o pênalti e que classifica o Grêmio para a fase de Grupos da Libertadores.
Mas Dida, depois de recuperado da contusão, volta ao time e, apesar de ser ótimo goleiro e pegador de pênaltis, não agarra penalidade alguma, nenhumazinha que fosse, nas diversas oportunidades em que o Grêmio precisou dele.
Felipão traz de volta Júlio Cesar.
Deixa de fora vários goleiros que estão em forma.
Alguns que atuam no Exterior. Outros no próprio Brasil.
Logo Júlio Cesar, que ficou marcado pela falha no jogo contra a Holanda na eliminação do Brasil na última Copa do Mundo.
Na hora H, quando o Uruguai tinha tudo para sair na frente na partida decisiva, Julio Cesar defende o pênalti e é decisivo para a classificação brasileira para a final!

Luxemburgo quer gols. Afinal, gol é o mais importante que existe no futebol. E, na falta deles, tira do time Marcelo Moreno, o artilheiro do ano passado.
Depois, manda Marcelo Moreno embora!
Em alguns jogos, escala Kleber vindo de contusão e fora de forma.
O Grêmio perde e o Gladiador mal toca na bola.
Luxemburgo traz jogadores: Wellington, William José…e nenhum faz coisa alguma pelo Grêmio.
Podendo escolher, traz para comandar a defesa o “Xerife” Cris.

Mas o líder experiente do time comete pênaltis absurdos e é expulso infantilmente.

Felipão tem Fred, um artilheiro que passa em branco nos dois primeiros jogos, e Jô, centroavante que fez dois gols, em dois jogos, mesmo entrando quase no final.
E o treinador, contra a vontade da maioria, insiste no jogador, diz que confia em Fred e que ele só será substituído se arrancarem a sua perna.
Fred faz dois gols contra a Itália e livra o Brasil do confronto contra a Espanha.
E hoje marca contra o Uruguai – justificando a confiança do técnico.
A decisão de Felipão, manteve o jogador que foi decisivo!
Durante todo o ano, o Xodô da torcida do Grêmio foi o argentino Bertoglio.
Magrinho, franzino e driblador, o argentino entra bem em todas as partidas.
Faz gols.
Dá passes.
Incendeia a torcida gremista.
Mas não sensibiliza o treinador
Que aposta em Marco Antonio, o burocrático.
Que aposta em Deretti, que se contunde três vezes só este ano.
Que inventa André Santos na meia!
Que inventa o fora de forma, que não jogava desde 2011, Marco Aurélio.
E o Grêmio é eliminado de tudo.
Sem chegar a uma única final.
Nem no primeiro turno do Gauchão.
Nem no segundo turno do Gauchão!

Surpreendentemente, contrariando o bom senso e a expectativa geral da nação,
Scolari chama o jovem Bernard para entrar em campo em momento delicado contra o time uruguaio.
Em um jogo decisivo.
Aposta no magrinho, franzino e driblador.
Aposta não: o termo certo é acredita.
Ele conhece o jogador!
Ela sabe que o jogador é querido em Minas.
Que vai incendiar os torcedores do Galo Mineiro e, até, do rival Cruzeiro.
Bernard entra bem.
O Brasil melhora.
E ao final se classifica com um gol de escanteio.
(Falar sobre as apostas de Felipão em 2002, como os machucados Ronaldo e Rivaldo; como tirar Ronaldinho Gaúcho da ponta e colocá-lo como meia; como colocar Rivaldo como segundo atacante – invertendo a posição com o Ronaldinho Gaúcho – é até covardia.Afinal, faz muito tempo…Por isso, desde já peço ao leitor que desconsidere esta frase que termino com esse ponto que vem a seguir.)
Mas posso falar sobre Neymar mais solto em campo (embora hoje tenha jogador mais fixo na esquerda) e, principalmente sobre o que significou dar a camisa 10 para Neymar.
O que representou para a torcida!
Para a mídia!
Para os companheiros de time.
E para o próprio Neymar.
– Vejam, este é o cara!
– Não vamos vaiar. Vamos apoiar. Ele é o cara!
– Não critiquem tanto. Além de cumprir funções táticas, mesmo sem brilhar ele participou da maioria dos gols do time.
– Na hora do aperto, passem a bola pra ele. Nas faltas, ele é que bate. Ele é o cara!

Estamos na final!
Mais uma vez Felipão chega à final de uma competição importante.

Claro que poderia ter sido diferente se, mesmo com todos os méritos do treinador brasileiro,
Forlan tivesse batido bem o pênalti.
Se o árbitro tivesse mandado voltar a cobrança!
Se aquela bola que desviou no Luís Gustavo tivesse entrado…
Alguns podem chamar de sorte.
Acho que é bem mais que isso.
É esse sentir a pulsação do time.
É sentir a energia da torcida.
É conhecer o potencial dos jogadores.
É saber tirar do grupo comandando aquela luta, aquela dedicação extra que só fazemos quando acreditamos em quem nos lidera.
Tudo isso é o que Felipão, tem de sobra.
E o que falta ao profexô Luxemburgo.

 

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