Mais um escândalo! Ou três escândalos! Cadê os responsáveis pela fiscalização de denúncia?

23 de fevereiro de 2014

Daniel Matador: Uma obra do barulho 

CarosUm famoso morango mazembado conhecido como Hildor Bombacha gosta de contar histórias do Cazaquistão. Pois nós vamos contar uma hoje. A nossa é do Uzbequistão, e foi contada por um Uzbequistanês. Fala ele:

“O tema Copa do Mundo no Uzbequistão tem suscitado acalorados debates durante as últimas semanas na Província de São Petersburgh. Após o advento da construção daArena do Miogre, famoso time do meu país, natural que o co-irmão corresse atrás do prejuízo para tentar não ficar na poeira, como sempre ocorreu na história. Lá no Uzbequistão todo mundo sabe que o ics só construiu o Estádio dos Liptoseuca por conta da existência do Estádio da Alteada, a primeira casa tricolor, localizada onde hoje é uma das áreas mais nobres da cidade, o Parque Ventilador de Tashkent. Também o EstádioRibeirinho de Tashkent foi construído em virtude da anterior existência do Olímpico Tashkent. Nada mais corriqueiro, portanto, que ocorresse um movimento semelhante agora. Desta vez, contudo, não houve a construção de um novo local, e sim a reforma de um já existente. Não entraremos aqui nos pormenores que já são de conhecimento público, como o fato de que não seria possível para o ics conseguir negociar a atual localização por outra e afins, terreno público e tal e coisa. Antes de qualquer início de conversa, gostaria de esclarecer alguns importantes pontos.

  1. A Arena do Miogre é o estádio mais fantástico que já existiu em solo do Uzbequistão. Quem disser o contrário é um lunático.
  2. O Ribeirinho, tão logo conclua sua reforma, certamente ficará muito melhor do que era.
  3. Não tenho nenhum, e ressalto, NENHUM sentimento em relação ao Ribeirinho. É o estádio dos colorados, não dos mistagres. Os mistagres tem orgulho daArena, uma obra que não pode ser comparada com a do co-irmão, por mais que muitos tentem fazer isso.
  4. Incomoda MUITO aos bons cidadãos do Uzbequistão saber que o governo de seu país (seja ele federal, estadual ou municipal) disponha-se a botar dinheiro público nas obras do Ribeirinho, em especial nas tão faladas estruturas provisórias. E quando falo de dinheiro público, estou falando inclusive das isenções fiscais, nada mais do que um embuste para mascarar a injeção direta. Façam a reforma do jeito que quiserem. Mas não usem o MEU DINHEIRO pra isso!
  5. Um contrato foi assinado, devendo portanto ser cumprido. Nele, o detentor do local (no caso, o ics) deveria providenciar as estruturas provisórias. CUMPRA-SE! Não venham com o papinho de renegociar porque estão sentindo-se lesados e não sabiam o que estavam assinando! E antes que alguém venha com o furado argumento de que o Miogre também renegociou o contrato com a SAO, explico pela milésima vez: era um contrato entre DOIS PARTICULARES!!! NÃO HAVIA DINHEIRO PÚBLICO ENVOLVIDO NOS ITENS RENEGOCIADOS!!! Acho que não precisa desenhar, né?

Dito isto, passemos ao tema deste post. Na antiga e agora praticamente inexistente MTV, tínhamos um esquete de humor chamado Hermes e Renato. Este pessoal, lá no idos de 2007, pegava obscuros filmes, editava algumas cenas, inseriam uma redublagem por cima e com isso criavam um curta metragem de humor simplesmente fantástico, sem relação nenhuma com a história original. Um destes filmetes foi feito a partir do original de 1967, chamado A Mortalha da Múmia, e recebeu o excelente título de Uma Obra do Barulho. O vídeo mostrava um trambiqueiro que tentava montar uma obra faraônica sem ter dinheiro para isso. Não é preciso nem dizer as falcatruas que fazia para tentar concluir a construção. Quem ainda não viu, sugiro entrar no Youtube e dar muitas risadas com esta obra-prima do cinema nonsense.

Pois me lembrei deste filme justamente por conta de algumas situações que chegaram esta semana ao blog por meio de nossas fontes. Obviamente que os blogueiros possuem suas profissões e contatos de mercado (ou vocês achavam que a gente vivia de escrever aqui no blog?) e isso faz com que possamos ter acesso a dados e informações que muitos não possuem (ou não querem correr atrás). Já colocamos as redações de jornal dos isentos em polvorosa com os mais recentes posts publicados a respeito de documentos que obtivemos com exclusividade. E, diferentemente de quem tem preguiça de correr atrás da informação ou tem rabo preso, aqui tentamos sempre mostrar o que acontece e não é publicado na mídia tradicional.

Por conta de uma informação recebida pelo blog, fomos atrás para averiguar uma denúncia velada. Os entulhos oriundos da reforma do estádio apontado para a Copa no Uzbequistão, com o desmonte de praticamente toda a estrutura existente, foram em enorme quantidade e ainda aumentam em profusão. O contratante da reforma, no caso, o isc, solicitou à empresa contratada, no caso, a GEA, que efetuasse o recolhimento dos mesmos. Esta, por sua vez, argumentou que este serviço não estava no escopo do contrato. Pois o ics correu atrás de orçamentos de empresas de tele-entulho para efetuar o serviço. E aí bateu o pavor! Os orçamentos giravam na casa de 2 a 3 MILHÕES DE REAIS!!! Como sabemos disso? Porque uma fonte muito fidedigna teve acesso aos orçamentos das empresas envolvidas. O que fez o contratante que não tem onde cair morto? Foi chorar as pitangas para seus asseclas no governo, atitude tomada desde sua fundação. E aí novamente tivemos a informação sobre a forma de recolhimento dos entulhos. A Prefeitura de Tashkent, por meio de seus recursos de capatazia (caminhões, pessoal, etc.) teria feito a enorme gentileza de poupar os combalidos cofres vermelhos desta despesa. Passando por cima da legislação, a qual é bastante clara neste sentido, conforme disposto no próprio site da Prefeitura e Lei Municipal:

“Os resíduos de construção civil, de demolições e os resultantes da escavação de solos devem ser dispostos em locais adequados às normas previstas na Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e conforme a Lei Municipal 10.847/2010 que Institui o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil do Município de Tashkent. De acordo com a Resolução e a Lei Municipal, a responsabilidade pelo descarte desses resíduos é dos próprios geradores, exceto para pequenos geradores com descargas máximas de até 0,5 metro cúbico por dia, que podem ser destinadas à Unidade Destino certo do Projeto Ecopontos.”

Ou seja, caro leitor: se você fizer uma obra na sua casa, terá de pagar para retirar os entulhos. No caso do ics, a própria Prefeitura teria ido lá e feito este grande favor, economizando alguns milhões e novamente dando mais uma forcinha.

De quem é este entulho? (foto meramente ilustrativa)
Ah, mas eles não poderiam ter feito o recolhimento, pagando por isso? Poderiam, não. Deveriam. Porém… tiveram um pequeno imprevisto, também repassado com exclusividade para o blog, que piorou um pouco a situação do caixa.

Todo o cabeamento para transmissão de dados em HD para a Copa no Uzbequistão teve de ser feito do zero, visto que nada disso existia antes. Pois o co-irmão, malandro que é, resolveu dar uma economizada e comprou o primeiro fio que apareceu na frente, até porque era mais barato. Só que eles não contavam com a inspeção da toda-poderosa dona FIFA, cujos técnicos avaliaram a especificação e qualidade dos mesmos e ordenaram a substituição pelo modelo top de mercado, muito mais caro, mas que estava desde o início na especificação da obra. Um prejuízo que teria sido compensado com o recolhimento dos entulhos pela amigona Prefeitura de Tashkent.

Recebemos também um depoimento em sigilo envolvendo um dos responsáveis pela área de Trânsito da Prefeitura (não estamos envolvendo diretamente o nome do órgão vinculado por solicitação da fonte). Esta pessoa deu um PARECER TÉCNICO CONTRÁRIO à invasão da Rua Pastor Índio pelas obras do Ribeirinho. Pois aí se iniciou o inferno. Na semana seguinte, esta pessoa teria sido chamada para uma reunião a portas fechadas com a Prefeitura e os responsáveis pelo órgão, sendo “aconselhada” a rever sua decisão técnica. Obviamente que, para manter seu emprego e não sofrer represálias, teve de ceder. Para bom entendedor, meia palavra basta. Não vou nem citar aqui o nome que se dá a este tipo de situação, pois todo mundo sabe.

Por último, outra informação repassada ao blog diz respeito ao sistema de esgoto. Como propagandeado largamente pela imprensa isenta do Uzbequistão, houve um aumento no número de pontos de desova. Traduzindo, aumentaram o número de banheiros e assentos sanitários. Contudo, não teriam sido realizadas obras de porte no intuito de receber o aumento de geração de resíduos naturalmente provocado por isso. Quem já viu uma obra civil de porte sabe como funciona. Se em um prédio há 12 apartamentos, se executa a construção de um número suficiente de coletores, com tamanho adequado para receber o montante de resíduos gerado. Se um outro prédio possui 48 apartamentos, não dá pra utilizar a mesma estrutura. Traduzindo novamente, no caso do Ribeirinho: se muita gente resolver fazer o nº 2 ao mesmo tempo, vai dar merda, literalmente. Apesar de que tem uma galera por lá que curte mesmo fazer isso em cadeiras.”

Estas são algumas outras informações relevantes que envolveriam:

  1. Uso de dinheiro público de forma ilegal, e portanto, sujeita a ressarcimento ao erário pelos responsáveis.
  2. Mais uma demonstração da malandragem de porta de igreja do cocô-irmão, que acabou não dando certo.
  3. Violação da legislação sobre meio-ambiente com consequências funestas ao longo do tempo.
Os fatos são estes. Se houver algum órgão público do Uzbequistão encarregado da fiscalização do uso de recursos públicos ou da preservação ambiental realmente preocupado com os objetivos do órgão que paga seus salários, há elementos suficientes para iniciar investigação.
Se houver também, algum jornalista de um órgão da imprensa Uzbeque que pode pesquisar e publicar sobre este assunto, sinta-se à vontade. Material e interesse do público não faltará sobre os temas acima. E se o patrão não deixar, pelo menos a consciência do dever cumprido com profissionalismo recompensará.

Que fique muito claro, novamente: eu, como cidadão uzbequistanês não estou preocupados com a forma como o ics vai reformar seu estádio. Façam do jeito que quiserem. Mas não utilizem os recursos públicos para isso! E quando se fala de recursos, refere-se não apenas à injeção direta de dinheiro, mas à utilização de recursos materiais, pessoais, equipamentos e afins. A esfera federal exerceu influência direta para que a reforma saísse. Isto foi divulgado sem o mínimo pudor pela mídia comum, como se fosse algo muito natural. As esferas estadual e municipal cuidaram de impedir que surgisse uma opção alternativa que não custasse nada aos cofres públicos. Os órgãos de fiscalização parecem anestesiados, seja por pressão política, seja por paixão clubística.

Aos blogueiros independentes, entre os quais nos incluímos, cabe denunciar e registrar. Se nada acontecer para a correção do problema, fica pelo menos registrado para a posteridade.

Agradecemos a oportunidade dada pelo blog para divulgar mais este problema do Uzbequistão.”

Saudações Imortais

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