Você acredita em imparcialidade da imprensa gaúcha? Então leia:

19 de abril de 2014

Desculpas esfarrapadas

 
Recebemos o e-mail abaixo do leitor que assina Ricardo A.
Como é mais uma amostra da forma como age a imprensa gaúcha, resolvi publicar.
_____Caros,

Domingo passado, ZH publicou um editorial, alegando imparcialidade na cobertura da inauguração do beira-rio.
O editorial está copiado logo abaixo.
Enviei, então, email para a a autora, que está ao final. Estou esperando até agora uma resposta. Acho que não virá… 

Att,
Ricardo A.
…..

EDITORIAL ZH DOMINICAL

Excesso de tinta vermelha ou azul

12 de abril de 2014 3
martha gleisch
Nos últimos dias, tivemos em Zero Hora uma overdose de Internacional. “O jornal está pintado de vermelho!”, ouvi de gremistas dentro da Redação. Natural. A coisa que mais acontece neste Estado é a flauta clubística. O pessoal da rotativa deve mesmo ter gasto mais tinta vermelha (na verdade, tintas magenta e amarelo, que formam o vermelho). Assim como, no final de 2012, na inauguração da Arena, gastaram cyan, ou a tinta azul.
A capa do caderno Gigante de 5/4/2014 e a capa de Zero Hora de 7/4/2014. (foto)A capa do caderno Arena de 8/12/2012 e a capa de Zero Hora de 10/12/2012. (foto)
Ao longo dos anos, ouvimos muito mais que “Zero Hora é gremista” do que “Zero Hora é colorada”. Atribuo isso a dois motivos. O primeiro se deve à camiseta tricolor de um de nossos mais populares colunistas, o Paulo Sant’Ana. Fanático pelo Grêmio, mesmo que hoje não escreva nem 10% de suas colunas sobre futebol, Sant’Ana é um dos ícones do clube no Estado. Então, a equação “Sant’Ana = Grêmio, Sant’Ana = Zero Hora , logo Zero Hora = Grêmio” é compreensível. O segundo motivo é o fato de Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS, e Eduardo Sirotsky Melzer, presidente executivo do Grupo RBS, serem gremistas. Se os donos são gremistas, o jornal é gremista? Olha, tenho 30 anos de RBS e, nesses anos todos de Redação, nunca recebi um telefonema deles pedindo para puxar a brasa para o Grêmio. Mas também considero natural que o leitor construa na sua cabeça a tese “se os proprietários da Zero Hora são gremistas, o jornal é gremista”.
E agora vou revelar uma coisa: o editor-chefe de Zero Hora, Nilson Vargas, é colorado. Isso influencia a cobertura? Ai dele se misturar paixão com edição! Não pode! Nossos leitores colorados e gremistas precisamter certeza de que cobrimos o futebol gaúcho sem preferências pessoais. É por isso que, ao planejar a cobertura da inauguração do Beira-Rio, combinamos: vamos dar E-XA-TA-MEN-TE o mesmo destaque, a mesma relevância, que demos para a inauguração da Arena. E assim fizemos. Claro que esse equilíbrio está condicionado aos fatos, pois não brigamos com a notícia. Quando meu chefe, o colorado Eduardo Smith, vice-presidente de Jornais, Rádios e Digital do Grupo RBS, ressaltou sua preocupação de termos uma cobertura equilibrada da inauguração do Beira-Rio, respondi para ficar tranquilo, porque gremistas e colorados veriam total equilíbrio nos cadernos daquela época e desta.
E quanto a mim? Confesso: não sou chegada a futebol, embora lá em casa torçam para o Inter. A minha torcida maior, sempre, é pelo jogo justo, sem violência, sem racismo, e com uma cobertura equilibrada.

…..

Estimada Sra. Martha,

Em relação ao editorial de domingo passado, assinado pela senhora, com o título “Excesso de tinta vermelha ou azul”gostaria de tecer algumas considerações.
Acredito que a senhora realmente acredita no que escreveu. Acredito também na sua imparcialidade e no seu não apreço pelo futebol. É baseado nisso que peço licença para tomar alguns minutos do seu tempo, para fundamentadamente discordar do editorial e tentar explicar o surgimento da irônica expressão “IVI” (Imprensa Vermelha Isenta), que a senhora já deve ter ouvido falar. Se não ouviu, deveria, pois um número cada vez maior de leitores do teu jornal a usa para se referir à imprensa esportiva gaúcha. Basta procurar no Google para saber do que falo.
Primeiramente, gostaria de ressaltar que, no meu entendimento de leitor, não é somente o número de linhas ou de fotos que mede se a cobertura é ou não equilibrada. A equação do equilíbrio inclui também o conteúdo. As entrelinhas. O que é mostrado e o que é escondido.
Para melhor estruturar meu raciocínio, começo falando de questões outras, que não a cobertura dada à inauguração dos estádios.
A senhora sabia que repórteres da RBS “escondem” notícias que poderiam gerar crises no Inter, por “respeito à direção do Internacional”? Claro, tal tratamento não é dispensado ao Grêmio. Nem espero que seja. Só quero que ele seja E-XA-TA-MEN-TE o mesmo, para os dois lados.

Quer provas? No link abaixo temos o áudio onde um colaborador do grupo RBS confessa que não revelou fatos por respeito à direção do internacional. Está nos minutos 15:30 e 16:21.

Os fatos eram os seguintes: o centroavante titular do time não falava com jogadores estrangeiros no vestiário. E a principal contratação do time estava em atrito com a direção do clube. As notícias só foram divulgadas após a saída dos dois atletas do Inter.
Agora, o mesmo repórter que não divulgou informações que gerariam uma crise no Internacional, não teve o mesmo respeito com a direção do Grêmio no famoso caso das “ovelhinhas”. Caso não saiba do que falo, o Presidente do Grêmio se esqueceu de desligar seu telefone celular após uma entrevista e o repórter escutou uma reunião privada da diretoria do Grêmio. Na reunião, a diretoria se referiu ao treinador como “Pastor”, e seus jogadores de confiança viraram “ovelhinhas”. Obviamente, a conversa indevidamente ouvida foi revelada, gerando uma enorme crise do clube.
A senhora chama isso de tratamento E-XA-TA-MEN-TE igual?
Na inauguração da Arena, um colaborador do grupo RBS (que também assinou a matéria do caso das ovelhinhas, acima citado) chegou a criticar a pipoca do Estádio. A pipoca! O Brasil inteiro elogiava a Arena, e esse colaborador criticava o que encontrava pela frente. No afã de criticar a Arena, qualquer tijolo fora do lugar era alvo. Procure no Google “fiscal da pipoca” e saberás do que falo (se é que não sabes).
Outro colaborador, que já foi flagrado dormindo no trabalho, em foto que circula pela internet, saiu em defesa do seu colega. Disse que os problemas que porventura acontecessem na inauguração do Beira-Rio seriam divulgados. Estou esperando até agora.
Brigas ocorrem nas duas torcidas. Quando é no Grêmio, vira capa de jornal, os torcedores viram “Monstros” e os repórteres ligam para os tribunais esportivos, cobrando punição e sugerindo penas e sanções. Quando é no Inter, as brigas são escondidas. Talvez em respeito à direção, vai saber. Tenho o fundamentado direito de suspeitar disso. No último Gre-nal da Arena houve uma briga entre torcedores do Inter, com muito sangue e cadeiras quebradas. Ninguém foi preso. Ninguém pediu punição ao Inter (perda de pontos, interdição de estádio, nada…) como fazem com o Grêmio. Não saem fotos no jornal. Até briga entre jogadores colorados ocorre no treino, como na semana passada. Aí o capitão do time manda a imprensa não publicar as fotos. E as fotos não são publicadas. Em respeito, talvez.
Isso é dar E-XA-TA-MEN-TE a mesma relevância aos fatos que ocorrem de um lado e de outro?
Se a senhora acha que estou inventado e que não existem brigas na torcida do inter, tenho fotos. Teria prazer em lhe enviar.
Um torcedor do Inter morreu atropelado na saída da inauguração do Beira-Rio. Culpa do entorno? Não sei, não tenho maiores detalhes. Só saiu uma notinha. (#imaginanaCopa.. ops, #imaginanaArena.) Já na inauguração da Arena, houve uma briga na torcida, mas ninguém morreu. Mesmo assim, segundo manchetes do grupo RBS, “A briga manchou a inauguração”. A morte por atropelamento não manchou a inauguração do Beira Rio?
Quando Scocco, jogador do Inter, demonstrou insatisfação pública (que só se tornou pública porque foi feita no twitter pessoal do atacante), um colaborador que recentemente mudou de emissora perguntou, no twitter e em seu programa de rádio, se algum dirigente iria “encostar” no atleta para impedir mais declarações. Quando Marcelo Moreno, jogador do Grêmio, demonstrou descontentamento, o jogador e seus parentes eram entrevistados seguidamente, em busca de “declarações polêmicas”. Ninguém tentou impedir o vazamento das declarações, pelo contrário. Estimulavam.
De novo: isso é dar E-XA-TA-MEN-TE o mesmo tratamento aos fatos que ocorrem de um lado e de outro?
Blogs independentes conseguiram o contrato secreto entre o Inter e a construtora responsável pela reforma do estádio colorado (e pelo atraso da reforma, que inviabilizou a realização da Copa das Confederações em Porto Alegre). Os colaboradores do Grupo RBS se negaram a analisar, aludindo não entenderem nada de contrato, não serem advogados, etc… o estranho é que essas mesmas pessoas criticam com propriedade o contrato entre Grêmio e OAS. Mas enfim, um dia após a aprovação do Projeto de Lei que concede isenções fiscais para a construção das estruturas temporárias, aparece um repórter com o tal contrato e uma análise minuciosa…
Fora da esfera esportiva, mas nem tanto, um colaborador que possui página inteira no jornal, foi um dos maiores críticos da inauguração da Arena e do Presidente do Grêmio à época. Mandou o Presidente do Grêmio “cuidar de suas nádegas” em programa de rádio. Agora, quando alguém ousa criticar ou exigir o cumprimento da lei no Beira-Rio, ele chama de “caranguejo”, que puxa para baixo.
Poderia encher páginas e páginas de exemplos pontuais de diferença de cobertura de eventos idênticos, assim como o patrocínio da Andrade Gutierrez ao Grupo RBS, mas isso fugiria do escopo dessa carta.
A senhora pode dizer: Ah, essa carta é de um gremista que enxerga a realidade com um filtro azul. Pode até ser. Mas será que o seu chefe e o editor-chefe de ZH não lêem e editam o jornal com filtro vermelho, também? Serão infalíveis?
Assim, a senhora me desculpe, mas, com todo o respeito, diante dos fatos, com os quais também não posso brigar, eu tenho a pessoal convicção que, se não o grupo RBS, ao menos seus colaboradores cobrem o futebol gaúcho com preferências pessoais, sim senhora.
 
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